more than just music, its a hairstyle

promovam concursos em que vençam as pessoas que se lembrarem da letra das canções mais populares ou dos nomes das capitais dos estados ou de quanto foi a safra de milho do ano anterior. encha as pessoas com dados incombustíveis, entupa-as tanto com “fatos” que elas se sintam empanturradas, mas absolutamente “brilhantes” quanto a informações. assim, elas imaginarão que estão pensando, terão uma sensação de movimento sem sair do lugar. e ficarão felizes, porque fatos dessa ordem não mudam. não as coloque em terreno movediço, como filosofia ou sociologia, com que comparar suas experiências. aí reside a melancolia. todo homem capaz de desmontar um telão de tevê e montá-lo novamente, e a maioria consegue, hoje em dia está mais feliz do que qualquer homem que tenta usar a régua de cálculo, medir e comparar o universo, que simplesmente não será medido ou comparado sem que o homem se sinta bestial e solitário. eu sei porque já tentei. para o inferno com isso! portanto, que venham seus clubes e festas, seus acrobatas e mágicos, seus heróis, carros a jato, motogiroplanos, seu sexo e heroina, tudo o que tenha a ver com reflexo condicionado. se a peça for ruim, se o filme não disser nada, estimulem-me com o teremim, com muito barulho. pensarei que estou reagindo à peça, quando se trata apenas de uma reação tátil à vibração. mas não me importo. tudo que peço é um passatempo sólido.

— fahrenheit 451, ray bradbury, 1953.



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